
Navegando em jornais e revistas antigas, me deparei com a história do Jocalho, carro feito a partir de uma sucata de Ford 1934 no início da década de 70.
A Origem do Jocalho
Tudo começou em Caruaru, Pernambuco, onde Carlos Fernando Borges, então estudante de Economia, encontrou um Ford 1934 abandonado, coberto pelo mato. O jovem viu potencial naquele monte de ferro-velho e decidiu transformá-lo em algo extraordinário. Em troca de dois rádios e um exaustor, Carlos adquiriu o veículo e deu início ao projeto que duraria nove meses, de agosto de 1970 a abril de 1971.

A Batalha pela Matrícula
A matrícula do Jocalho foi um capítulo à parte. Carlos Fernando enfrentou seis meses de burocracia até conseguir a aprovação do Departamento de Trânsito de Pernambuco (Detran). As dúvidas sobre a origem e a marca do veículo foram tantas que o caso chegou ao Conselho Estadual de Trânsito. Após muitos debates, ficou decidido que, embora o carro não tivesse uma marca específica, poderia ser matriculado desde que atendesse às normas de segurança. Assim, o Jocalho recebeu um número de placa, sendo considerado um carro brasileiro.

Características Técnicas do Jocalho
O Jocalho possui características peculiares que o tornam único:
- Motor: Ford 1951, 105 HP (V8)
- Freios: Hidráulicos
- Câmbio: Três marchas para frente e uma ré
- Buzina: Opala
- Velocidade Máxima: 160 km/h
- Volante: Itamaraty
- Rodas: Pneus de Galaxie, sem câmara de ar
- Tanque de Combustível: Localizado na mala, junto com o pneu de suporte
- Lanterna Traseira: Fusca
- Bancos: Karman-Ghia
- Painel: Ford importado, com velocímetro, gerador e indicadores de gasolina, temperatura e óleo
- Outros Itens: Botões de luz, limpador e acendedor

Curiosidades e Propostas
O Jocalho, batizado assim por Carlos Fernando em homenagem a um personagem fictício que ele criou, atraiu muita atenção onde quer que fosse. Sua aparência distinta e a história fascinante por trás de sua criação resultaram em inúmeras propostas de compra e troca, incluindo ofertas por automóveis nacionais e estrangeiros de alto valor. No entanto, Carlos sempre recusou, afirmando que o Jocalho era único e insubstituível.
Conclusão
A história do Jocalho é um testemunho da engenhosidade e do espírito empreendedor. Transformar um monte de ferro-velho em um carro que virou atração por onde passa não é uma façanha comum. Carlos Fernando Borges e os colaboradores locais de Caruaru mostraram que, com criatividade e determinação, é possível realizar feitos extraordinários.
Se você conhece mais sobre o Jocalho, deixe nos comentários.
Referências
- “Monte de ferro velho vira carro-esporte.” Automóvel Clube (RJ), 1972.
- Menezes, Jenner. “Pernambucano faz carango reunindo ferro-velho e esnoba nas ruas do Recife.” Diário de Notícias (RJ), 07/01/1973.





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