Em 1988, durante o Salão do Automóvel, surgiu no Brasil um utilitário 4×4 a diesel que prometia ser mais acessível e versátil que os jipes nacionais da época. O CBT Javali, desenvolvido pela Companhia Brasileira de Tratores, chegou com motor próprio, tração nas quatro rodas e a proposta de atender tanto ao trabalho no campo quanto ao uso na cidade.

A iniciativa partiu de Mário Pereira Lopes, engenheiro paulista de 72 anos especializado em mecânica e eletricidade. Ele era o dono da CBT, empresa sediada em São Carlos (SP) que fabricava tratores desde 1960 e faturava milhões de dólares na época, com capacidade para produzir 15 mil tratores por ano. Antes do lançamento, a empresa construiu cerca de 20 protótipos para testes. O idealizador do projeto chegou a chamar o veículo de “Incapotável” após os bons resultados em rampa.
O Javali foi projetado com chassi totalmente de aço e cerca de 90% de sua fabricação feita pela própria CBT — apenas a bateria vinha de fornecedores externos. O motor diesel era o mesmo usado nos tratores da empresa e estava disponível em versões de 3 ou 4 cilindros, com ou sem turbina. A tração era 4×4, câmbio de 4 marchas e capota de lona.
Nos testes, o modelo demonstrou boa capacidade off-road, vencendo rampas de até 37 graus. O consumo também chamava atenção para a época: a versão 3 cilindros turbo, em velocidade média de 80 km/h, chegava a 21 km/l de diesel. A versão 4 cilindros turbo rendia até 17 km/l nas mesmas condições. Com tanque de 45 litros, a autonomia média ficava em torno de 600 km. A capacidade de carga chegava a 800 kg e o veículo comportava 4 pessoas.

Os planos comerciais eram ambiciosos. A CBT pretendia iniciar a comercialização em fevereiro de 1989, com preço entre 20% e 25% mais baixo que os jipes brasileiros vendidos na época. A meta inicial era produzir 250 unidades por mês, com o objetivo de chegar a 100 por dia. O foco estava nos mercados civil e militar, competindo diretamente com o jipe da Engesa.
Apesar das promessas, a produção não seguiu o ritmo planejado. O lançamento ao público aconteceu apenas em 1990. O modelo não conquistou o público tradicional de jipeiros e a produção foi encerrada por volta de 1993.
Hoje o CBT Javali é um veículo raro. Estima-se que cerca de 1.500 unidades ainda possam circular no país, embora não se saiba quantas estão em bom estado de conservação. Os valores de mercado atuais ficam entre R$ 55.000 e R$ 65.000, dependendo do estado e da conservação.
Em outubro de 1995, um exemplar 4×4 Turbo ano 1990 era anunciado por R$ 6.000.
Ficha Técnica
| Característica | Detalhes |
|---|---|
| Motor | Diesel de fabricação própria CBT, 3 ou 4 cilindros, aspirado ou turbo |
| Potência | 84 cv |
| Tração | 4×4 |
| Câmbio | Manual de 4 marchas |
| Capacidade | 4 passageiros + até 800 kg de carga |
| Tanque de combustível | 45 litros |
| Autonomia média | 600 km |
| Consumo | Até 21 km/l (versão 3 cilindros turbo a 80 km/h média) Até 17 km/l (versão 4 cilindros turbo a 80 km/h média) |
| Chassi | Totalmente em aço |
| Carroceria | Capota de lona |
| Desempenho off-road | Capaz de subir rampas de até 37 graus |
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Referências
- Revista Manchete (22/10/1988)
- Jornal do Brasil (18/10/1988 e 15/10/1988)
- Correio Brasiliense (10/11/1988)
- O Fluminense (18/01/1993)
- Lexicar Brasil




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