O Gurgel Supermini foi apresentado ao público brasileiro em 1992, em Rio Claro, no interior de São Paulo. Fabricado pela Gurgel em sua unidade fabril local, o modelo surgiu como uma proposta de carro urbano compacto e prático, pensado para facilitar o dia a dia nas grandes cidades.

Trata-se de uma evolução direta do BR-800, veículo anterior da mesma marca. Com apenas 3,20 metros de comprimento e capacidade para quatro ocupantes, o Supermini apostava em um conceito simples porém ambicioso: ser pequeno por fora para facilitar manobras e estacionamento, mas grande por dentro graças ao aproveitamento de 75% do comprimento total como espaço interno.
O principal diferencial técnico estava no chassi tubular de perfil retangular, interligado por tubos de torque, que prometia rigidez estrutural superior e maior segurança(uma solução pouco comum em carros de entrada da época). Tudo isso embalado por um motor de dois cilindros opostos e um consumo de combustível elogiado para os padrões brasileiros do início dos anos 1990.
História do Supermini
O projeto do Gurgel Supermini nasceu da necessidade de a Gurgel atualizar sua linha de veículos compactos. Após o relativo sucesso do BR-800, a empresa decidiu investir aproximadamente 7 milhões de dólares no desenvolvimento de um sucessor mais moderno e adaptado às demandas urbanas.

O lançamento oficial aconteceu em 25 de fevereiro de 1992, em meio a um cenário econômico turbulento no Brasil. O país ainda operava com o cruzeiro como moeda oficial e enfrentava períodos de forte instabilidade inflacionária. O preço do Supermini foi atrelado ao dólar comercial, estratégia que refletia a realidade de fornecedores e custos de produção da época.
João Conrado do Amaral Gurgel, principal figura por trás da marca, via no novo modelo uma oportunidade de oferecer um veículo acessível e funcional para o uso cotidiano. A campanha de marketing explorava exatamente esse posicionamento: um carro que facilitava a circulação e o estacionamento nas cidades, com destaque para o baixo consumo de combustível.

A produção inicial foi programada em 200 unidades mensais, com a meta ambiciosa de dobrar esse volume para 400 carros por mês dentro de quatro meses após o lançamento. A Gurgel também anunciou que deixaria de fabricar o BR-800 até março de 1992, concentrando esforços apenas no Supermini.
Desenvolvimento do Gurgel Supermini
O desenvolvimento do Gurgel Supermini trouxe melhorias concretas em relação ao BR-800. A distância entre-eixos foi aumentada em 10 centímetros, ganhando espaço interno sem comprometer a proposta de compactação extrema do veículo.
O chassi adotou perfil tubular retangular estampado, disposto lateralmente e reforçado por múltiplos tubos de torque. Essa arquitetura conferia rigidez torsional elevada e contribuía para a segurança passiva, ponto enfatizado pela fabricante como diferencial competitivo.

Devido à capacidade do motor de 792 cm³, os projetistas puderam elevar o ângulo de inclinação do capô, melhorando a aerodinâmica frontal do conjunto. As dimensões finais ficaram em 3,195 metros de comprimento, 1,5 metro de largura e 1,468 metro de altura.
O resultado foi um carro com peso de 645 kg(35 kg mais leve que o BR-800), fator que favorecia tanto o desempenho quanto a eficiência energética.
Motor e Mecânica do Gurgel Supermini
O Gurgel Supermini era equipado com o motor Enertron de dois cilindros opostos, com cilindrada de 792 cm³, alimentado por gasolina e de ciclo quatro tempos. A potência máxima era de 36 cv, valor suficiente para mover o leve veículo urbano com desenvoltura no trânsito cotidiano.

O consumo de combustível figurava entre os principais argumentos de venda: 21 km/litro em velocidade constante entre 70 e 80 km/h. A velocidade máxima declarada chegava a 123 km/h, embora algumas fontes da época mencionassem valores ligeiramente superiores.
O sistema de freios era hidráulico, com disco na frente e tambor atrás. A refrigeração do motor era a água, o carburador de corpo simples e a ignição controlada eletronicamente. O comando de válvulas utilizava corrente de distribuição.
O reservatório de combustível tinha capacidade para 40 litros, enquanto a carga útil atingia 350 kg.
Ficha Técnica
- Motor: Enertron, 2 cilindros opostos, 792 cm³, gasolina, 4 tempos
- Potência: 36 cv
- Velocidade máxima: 123 km/h
- Consumo: 21 km/l (velocidade constante de 70-80 km/h)
- Peso: 645 kg
- Dimensões: Comprimento 3,195 m | Largura 1,5 m | Altura 1,468 m
- Freios: Hidráulicos com disco na frente e tambor atrás
- Tanque de combustível: 40 litros
- Carga útil: 350 kg
- Versões: Supermini BR-SL e Supermini BR-S
Curiosidades
O preço real do Gurgel Supermini estava diretamente ligado ao dólar: US$ 11.950. No dia do lançamento, após a conversão do dólar comercial, o valor em cruzeiros chegou a Cr$ 18.701.750,00. Na ocasião, o modelo saía de fábrica cerca de 2 milhões de cruzeiros mais caro que o Fiat Uno Mille.
Embora o lançamento tenha ocorrido em fevereiro de 1992, a comercialização efetiva só começou em junho do mesmo ano. Duas versões foram oferecidas ao público: a BR-SL, mais equipada, e a BR-S, versão de entrada.
A diferença entre elas estava nos opcionais. A versão BR-S não trazia retrovisor externo do lado direito, toca-fitas, relógio e conta-giros, itens presentes de série na BR-SL.
Em setembro de 1994, a Gurgel já trabalhava em uma atualização para o ano de 95, que incluiria teto solar e teria preço sugerido em torno de 7.500 reais.

Uma frase atribuída a João Conrado do Amaral Gurgel resume o clima da época:
Resolvi abandonar de vez o cruzeiro. Assim não vai mais sair todos os dias nos jornais que a Gurgel aumentou os preços.
Quantas unidades foram produzidas?
Estima-se que por volta de 2.000 unidades do Gurgel Supermini tenham sido fabricadas durante todo o período de produção.
A baixa tiragem transformou o modelo em uma raridade no mercado brasileiro de carros antigos. Hoje, exemplares em bom estado de conservação são comercializados na faixa entre R$ 27.000 e R$ 37.000, dependendo das condições gerais, equipamentos e documentação.
Poucos Supermini sobreviveram às décadas seguintes, à descontinuidade da marca Gurgel e às dificuldades típicas de manutenção de veículos com peças específicas. Essa escassez aumenta o interesse de colecionadores e entusiastas.
O que aconteceu com o Supermini?
O encerramento da produção do Gurgel Supermini esteve diretamente ligado à falência da Gurgel. A montadora, que havia investido recursos significativos no projeto, não conseguiu manter as operações diante das adversidades econômicas.
A marca encerrou suas atividades, e o modelo entrou para a história como uma das últimas iniciativas da empresa no segmento de veículos urbanos compactos.
Fontes
- Folha de Hoje — 26/02/1992
- Correio de Notícias — 26/02/1992, 08/03/1992 e 31/05/1992
- O Pioneiro — 07/09/1994
- Jornal do Brasil — 29/02/1992
Informações extraídas de jornais da época e compiladas com base em pesquisa histórica sobre o modelo.




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