O Ford Del Rey, expoente máximo da sofisticação automotiva nacional nos anos 80, celebra quatro décadas e meia de história. Mais do que um simples automóvel, o modelo consolidou-se como um símbolo de prestígio entre 1981 e 1991, deixando um legado de conforto que ainda hoje é referência para colecionadores e entusiastas.
1981: A Missão de Herdar o Trono
Lançado em 1981, o Del Rey assumiu a complexa tarefa de suceder o lendário Ford Landau no segmento de luxo. Em um cenário de instabilidade econômica e alta nos preços dos combustíveis, o mercado demandava veículos mais eficientes, sem abdicar do status.

Derivado da plataforma do Corcel II, o sedã destacou-se imediatamente pelo acabamento primoroso e conforto superior. Inicialmente, o catálogo dividia-se entre a versão Prata (entrada) e a suntuosa Ouro. Esta última ostentava itens raros para a época: ar-condicionado, teto solar opcional, console de teto com relógio digital e o pioneirismo nacional dos vidros elétricos.
Visualmente, suas linhas retas e faróis quadrados evocavam a imponência de seu “irmão maior”, o Landau.
Evolução Técnica: Do CHT ao Redesign de 1985

Ao longo de sua trajetória, o Del Rey soube se reinventar para manter a competitividade. Em 1984, a introdução do motor CHT 1.6 trouxe uma queima de combustível mais eficiente, resultando em melhor desempenho e menor consumo. Na mesma atualização, o sistema de frenagem recebeu discos ventilados no eixo dianteiro, elevando o padrão de segurança.
O ano de 1985 marcou uma renovação estética e de nomenclatura, com as versões redefinidas para GL (entrada), GLX (intermediária) e a icônica Ghia (topo de linha).
O modelo Ghia, embora tenha adotado rodas de aço com supercalotas, inovou ao ser o primeiro carro não-esportivo no Brasil equipado com pneus de perfil baixo 195/60-14.
A frente foi redesenhada com faróis trapezoidais e uma grade de três lâminas horizontais, otimizando o coeficiente aerodinâmico.

Em 1986, a mecânica evoluiu para o motor CHT E-Max, focado em eficiência. Novos itens de conforto, como direção hidráulica e comando elétrico dos retrovisores, foram introduzidos para atender às demandas dos consumidores.
Em 1987, a Ford adicionou a versão L para preencher a lacuna deixada pela descontinuação do Corcel.
O Desfecho (1990-1991)
O capítulo mais robusto da história mecânica do Del Rey ocorreu em 1990, através da parceria Autolatina, o sedã recebeu o motor AP-1800 da Volkswagen, substituindo o CHT 1.6, que já era considerado limitado para o porte do veículo.
Acompanhado pela transmissão de origem Volkswagen — a mesma que equipava a linha Gol GTS e Santana —, o Del Rey atingiu um novo patamar de desempenho e silêncio de rodagem, tornando-se um dos veículos mais silenciosos do país.
Contudo, após uma década de produção e cerca de 350.000 unidades comercializadas, o projeto demonstrava sinais de obsolescência, foi então que em julho de 1991, o Del Rey despediu-se das linhas de montagem para dar lugar ao Ford Versailles.
O Legado de um Clássico
O Ford Del Rey deixou uma marca indelével na história automotiva brasileira. Ele representou a busca por um carro de luxo adaptado às realidades econômicas do país, oferecendo requinte sem abrir mão da durabilidade. Até hoje, o modelo é lembrado com carinho, sendo um testemunho da importância e do impacto que teve em sua época.
Referências





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