Quem viveu os anos 80 sabe do buraco que ficou no mercado quando o Jeep Willys saiu de linha em 1983. O Brasil precisava de um veículo valente para o trabalho e versátil para o lazer, mas que não custasse uma fortuna.

Foi aí que a Fibron Industrial(mesma fabricante do Fibron 274), de Belo Horizonte, apresentou o Beep: uma solução inteligente que unia o estilo icônico do Jeep à confiabilidade mecânica da Volkswagen.

A Receita: Chassi de Fusca e Visual de Willys

O Beep não era apenas mais uma réplica de fibra. Sob o comando do engenheiro Eduardo Ferreira, a Fibron pegou a plataforma do Fusca e aplicou uma modificação cirúrgica: o chassi era encurtado em 40 cm para atingir as proporções do jipe original.

Fibron Beep lateral

O resultado foi um conjunto extremamente leve, com apenas 540 kg. Essa leveza era o grande trunfo do projeto; o Beep conseguia rodar com agilidade em terrenos onde picapes e utilitários muito mais pesados costumavam atolar.

Engenharia Inteligente: O Motor na Traseira

Fibron beep com o seu porta malas aberto
Beep com o seu porta-malas aberto

Diferente do Willys, o Beep trazia a mecânica na traseira. Essa escolha não foi por acaso e trazia vantagens diretas para o proprietário:

  • Mais Tração: O peso do motor sobre o eixo de tração ajudava o carro a “agarrar” melhor em subidas de terra e terrenos arenosos.
  • Espaço Útil: Com o motor atrás, o capô dianteiro tornou-se um porta-malas prático, abrigando também o estepe.
  • Fidelidade Visual: A carroceria em fibra de vidro era tão bem executada que permitia o uso do para-brisa basculante original do Willys e os clássicos aros de farol.

Valente no Barro (Mesmo sem 4×4)

Embora não tivesse tração integral, o Beep não passava vergonha. Equipado com o motor VW 1600 de dupla carburação, ele atingia 110 km/h e entregava um consumo excelente para a época: até 15 km/l na estrada.

Fibron Beep na lama

Para o uso fora-de-estrada, a Fibron implementou soluções de mestre:

  1. Relação de Marchas Curta: Ajustada para oferecer torque máximo em baixas velocidades.
  2. Freios Independentes: Um sistema que permitia travar uma das rodas traseiras de forma manual. Se uma roda patinava no barro, você a travava para que a força fosse transferida para a roda com aderência — sistema similar ao Selectrolock da Gurgel.
  3. Acessórios de Série: Já saía de fábrica com guincho manual (roldana e cabo de aço) para emergências.

Curiosidade: O Porquê do Nome

Beep

Muitos pensam que “Beep” é apenas um trocadilho fonético com “Jeep”. Na verdade, o nome foi uma homenagem ao personagem Bip-Bip (o Papa-Léguas). A ideia era reforçar a imagem de um veículo ágil, rápido e capaz de atravessar terrenos sem dificuldades.

Ficha Técnica (Referência 1987)

CaracterísticaEspecificação
MotorVW 1600cc, Refrigerado a ar, Dupla Carburação
ChassiPlataforma de Fusca (encurtada em 40cm)
Peso total540 kg
Velocidade Máxima110 km/h
Consumo Médio11 km/l (campo/cidade) / 15 km/l (estrada)
CapacidadeAté 5 ocupantes
Traseira do Beep

O Beep foi um dos exemplos da criatividade da indústria fora-de-série brasileira. Ele entregava exatamente o que o entusiasta queria: a cara do Jeep, o baixo custo de manutenção do Fusca e uma valentia impressionante.

Referências:

  • Jornal a Luta Democrática, 1987.
  • Revista Manchete, 1987.

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