Imagine 1983. Você entra numa concessionária Volkswagen em Porto Alegre e, em vez de sair com um Voyage quadradão, leva para casa um coupé rebaixado, com teto removível, terceira porta de fibra e bancos concha de couro. Isso existiu — e se chamava Guepardo.

Guepardo (Motor 3)

A ideia que nasceu da admiração por um felino

Ronaldo de Almeida Brochado era engenheiro mecânico, apaixonado por carros e impressionado desde criança com o guepardo — o animal terrestre mais rápido do planeta.

Em 1981 ele começou a rabiscar no papel a ideia de transformar um Volkswagen popular em algo realmente esportivo, sem mexer na mecânica (para preservar a garantia de fábrica).

Então em 1982 surgiu o primeiro protótipo, ainda sobre a plataforma Gol. No ano seguinte, em janeiro de 1983, a Guepardo Veículos Ltda. (sociedade com o cunhado Erico de Almeida) lançou oficialmente o modelo para encomenda.

Como era feito o Guepardo 2+2

Base: Volkswagen Voyage (preferencial) ou Gol
Motor: original 1.6 (álcool ou gasolina, ~98 cv)
Preço na época (1983):

  • Carro completo (pronto de fábrica) → Cr$ 5,3 milhões
  • Apenas a transformação (cliente entregava o Voyage/Gol) → Cr$ 1,6 milhão

Principais modificações:

  • Teto removível em fibra de vidro
  • Rebaixo de ~4 cm
  • Para-brisa e vidros laterais mais inclinados
  • Terceira porta (tampa traseira + vidro) removível, com amortecedor
  • Balanço traseiro encurtado em 20 cm (no Voyage virava quase um hatch “americano”)
  • Nova grade dianteira esportiva envolvendo faróis
  • Para-choques de fibra mais largos
  • Bancos concha + volante revestidos em couro
  • Acabamento interno em couro e veludo nas laterais

Produção inicial: 2 unidades por mês.
Meta anunciada ainda em 1983: chegar a 6–7 carros/mês para atender principalmente Rio e São Paulo (já havia revendedor nessas praças).

Evolução rápida (e o salto para o Laser)

Em 1984 o Guepardo ganhou face-lift discreto:

  • Grade na cor da carroceria
  • Quatro faróis retangulares
  • Para-choque dianteiro com spoiler + dois faróis auxiliares
  • Console central e painel mais completo

Depois disso a empresa deu um passo ousado: deixou de ser apenas uma preparadora e projetou um carro 100% novo — o Guepardo Laser.

O Laser era um esportivo traseira-motor, carroceria três volumes, portas corrediças de acrílico (estilo buggy de cintura alta), pintura bicolor (parte inferior sempre cinza + filete vermelho). O projeto era tão radical que, pouco tempo depois, foi assumido pela também gaúcha Polauto.

A Polauto refez as portas (passaram a ser convencionais), sacrificou um pouco da originalidade, mas ganhou em conforto e segurança. Depois disso o rastro do Laser (e da Guepardo) se perde na história.

Por que o Guepardo é tão esquecido?

  • Produção artesanal e em baixíssimo volume
  • Concorrência com outras preparadoras da época (Dacon, Miura, Gurgel, etc.)
  • Crise econômica dos anos 80 + Plano Cruzado mataram muitos projetos semelhantes
  • Foco regional (forte no Sul, presença tímida em SP/RJ)

Hoje restam poucas unidades conhecidas. A maioria das fotos que circulam vem de acervos pessoais ou de colecionadores gaúchos.

Referências

  • O Poti – 23/01/1983
  • Jornal do Brasil – 04/06/1983 (reportagem Angela Caporal)
  • Lexicar Brasil – verbetes Guepardo e Polauto

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