O Gurgel X12, versão civil do mesmo veículo recentemente incorporado pelo Exército Brasileiro (X-12-M), foi o lançamento da Gurgel para o ano de 1976. Projetado com tecnologia totalmente nacional, o modelo chegou para integrar a linha de utilitários da marca e já incluía a opção de capota rígida.

Apresentado à imprensa na nova fábrica da Gurgel em Rio Claro, o Xavante X-12 chamou atenção pela robustez e versatilidade.
Representantes de outros países que testaram o veículo ficaram impressionados, o que reforçava o potencial de exportação que a Gurgel já demonstrava com os modelos anteriores da família Xavante.
O utilitário mantinha a excelente resistência estrutural da linha Gurgel, mas incorporava diversas melhorias para atender tanto o uso civil quanto as especificações militares, consolidando-se como um veículo praticamente insuperável em terrenos difíceis.

A motivação do projeto estava ligada à demanda por veículos robustos para os mais variados clientes: Forças Armadas, usinas elétricas, companhias de terraplanagem, Ministério da Agricultura, Corpo de Bombeiros, prefeituras, fazendeiros, empresas de reflorestamento e setor de camping.
Milhares de Xavantes já haviam sido entregues ao mercado nacional e estrangeiro com ótimos resultados até o momento do lançamento.
Desenvolvimento
O Gurgel X12 manteve a distância entre-eixos do modelo anterior, mas teve ângulos de entrada e saída bastante melhorados para atender especificações militares. Isso foi conseguido com o encurtamento das partes frontal e posterior, eliminando as “zonas mortas” da carroçaria.
A capacidade de superar obstáculos foi aprimorada pela elevação dos pára-choques, novo sistema de escapamento mais protegido, novas rodas e pneus 7:35 x 15 e maior vão livre do chão. O modelo recebeu também molas helicoidais na traseira e novo eixo dianteiro, melhorando performance e estabilidade.

O motor foi guarnecido por barras de aço colocadas verticalmente na parte traseira. O nível de conforto geral foi aprimorado com cuidados no acabamento, e o X-12 ganhou console central que, além de melhorar a estética, reforçou a estrutura da carroçaria.
Motor e mecânica
O Xavante X-12 utilizava motor Volkswagen 1.600 cm³, localizado na traseira, com quatro cilindros horizontais opostos, refrigeração a ar, potência máxima de 60 H.P. SAE a 4.600 rpm, torque máximo de 12 kgm a 2.600 rpm, relação de compressão 7,2:1 e peso do motor sem óleo de 113 kg.
A transmissão contava com alavanca de comando no solo ao lado direito do motorista, quatro marchas sincronizadas à frente mais ré, com relações específicas e diferencial 4,375:1, resultando em relação de transmissão de torque elevado de 8,35.

O modelo mantinha o exclusivo “selecration” (ou selectraction), que permitia bloquear uma das rodas traseiras para aumentar a força de tração na roda livre, auxiliando em atoleiros, lama ou terra solta.
Contava ainda com suspensão independente nas quatro rodas (barra de torção dianteira e molas helicoidais traseiras), freios hidráulicos nas quatro rodas e freio de estacionamento mecânico nas traseiras, além de guincho manual dianteiro com cabo de aço de 25 metros e capacidade de tração de até 1.200 quilos.
Ficha técnica
- Motor: Volkswagen 1600 cm³, traseiro, quatro cilindros horizontais opostos
- Potência: 60 H.P. SAE a 4.600 rpm
- Torque: 12 kgm a 2.600 rpm
- Refrigeração: A ar
- Transmissão: 4 marchas sincronizadas à frente + ré (alavanca no solo)
- Selecration: Bloqueio seletivo nas rodas traseiras
- Suspensão: Independente nas quatro rodas (barra de torção dianteira e molas helicoidais traseiras)
- Chassis/Carroçaria: Plasteel (plástico + aço) monobloco, extremamente resistente e incorrosível
- Pneus: 7,35 x 15 (rodas 5,5″ x 15″ de aço)
- Peso: 750 kg (X-12) / 850 kg (X-12 TR)
- Dimensões: Comprimento 3.310 mm, largura 1.590 mm, altura 1.530 mm, entre-eixos 2.040 mm
- Vão livre do solo: 200 mm
- Ângulos: Entrada 70°, saída 34°
- Reservatório de combustível: 36 litros + tanque extra de 20 litros (autonomia de quase 600 km)
- Sistema elétrico: 12 Volts
Curiosidades
O Gurgel X12 era equipado com cavadeira fixada na porta e oferecia tratamento opcional em tonalidades foscas ou pintura especial sem acréscimo para frotistas. Podia receber capota rígida, portas com chave e janelas graduáveis.
O modelo foi apresentado ao público britânico no Salão do Automóvel de Londres, onde concorreu com o Land Rover.
Na Alemanha, a revista especializada Hobby testou o X-12 TR junto a concorrentes europeus e destacou seu desempenho, manobrabilidade e visual atrativo, intitulando a matéria “Através dos campos em alta velocidade, um carnaval brasileiro”.

A Holanda importou as primeiras unidades do X-12 (lona), X-12 TR (teto rígido) e X-12 RM (meia capota dura). O modelo também foi entregue à Polícia Militar de São Paulo em versão camuflada com acessórios específicos.
A empresa exportava 25% de toda a sua produção e enviava veículos para mais de 30 países em três continentes. Registros da época citam embarques específicos, como dez unidades para a Grécia, seis para as Ilhas Virgens Britânicas e cinquenta para a Colômbia.

O fato é que Gurgel X12 representou um importante capítulo da indústria automotiva brasileira dos anos 70. O utilitário da Gurgel combinava robustez, versatilidade e soluções inteligentes, conquistando usuários dos mais variados segmentos e abrindo mercados internacionais.
Sua raridade hoje e o histórico de exportação reforçam o lugar do modelo como um dos utilitários mais interessantes e esquecidos da produção nacional.
Fontes
- O Poti — 02/05/1976 e 25/09/1976
- Jornal do Comércio — 29/10/1976
- Tribuna do Norte — 09/11/1978
- Diário da Tarde — 25/11/1978, 06/02/1979 e 30/04/1979
- Revista O Cruzeiro — 17/02/1979
- Correio Riograndense — 21/02/1979
- Diário da Noite — 05/04/1979




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